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À memória de Eleni Varikas (1949-2026): uma vida com sentido partilhado

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                                                   Historiadora Eleni Varikas    POR MICHAEL LÖWY Eleni Varikas, que faleceu em 9 de janeiro de 2026, foi minha companheira durante 45 anos. Por quase meio século, compartilhamos alegrias e tristezas, travamos batalhas juntos e, por vezes, escrevemos ensaios a quatro mãos. Éramos inseparáveis, especialmente nos últimos cinco anos. É difícil, para mim, terrivelmente difícil, aceitar sua ausência definitiva. Era um espírito rebelde, insubmisso, crítico, mas ao mesmo tempo sutil e profundo. Cheia de energia, era também uma pessoa muito frágil. Generosa, calorosa, alegre, seu sorriso aquecia nossos corações. Ela gostava de cantar e tinha um vasto repertório de canções de todo o mundo, que cantava em grego, francês, inglês, espanhol, italiano e até alemão. Em seu último dia de vida, no hospital, cantamos ...

Inteligência Artificial: nem inteligente, nem artificial - e comete erros

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  De tempos em tempos, a cada novo fenômeno sociotécnico, muitas vezes, gera-se um ‘grande entusiasmo’, transita-se para a ‘euforia’ e cai-se no ‘ufanismo’. É o que se passa agora com a chamada Inteligência Artificial, no mais das vezes, concebida de forma acrítica, sem problematização e sem se levar em conta as suas implicações – desde as esferas sociais de caráter micro (como o desenvolvimento da aprendizagem) até as dimensões de natureza macro, como é o caso da geopolítica. Ainda bem, contudo, que existe algo chamado conhecimento metacientífico, para - com as suas disciplinas – realizar o devido escrutínio da questão. Isso nos leva a ter acesso a asserções como a do neurocientista Miguel Nicolelis, caracterizando a Inteligência Artificial como “nem inteligente e nem artificial”. Além de  também cometer erros.  De resto, Noam Chomsky qualificou a IA como um duro ataque ao pensamento crítico e à ideia de formação autônoma.  Já começa a se avolumar, em alguns países,...

‘Universidade em ritmo de barbárie’ e a racionalidade sob ataque

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  Golconda (René Magritte)  Por Helcimara Telles * É impossível ignorar o agravamento da violência política no Brasil. Mais preocupante é perceber que esse ambiente de hostilidade já atravessa os muros da universidade. Um espaço que deveria estimular pensamento crítico, dúvida e confronto civilizado de ideias passa, em muitos casos, a reproduzir lógicas   beligeantes. Quando grupos organizados tentam impor uma única leitura da realidade, o debate encolhe e o dissenso passa a ser tratado como desvio. O problema não está na presença de movimentos sociais, legítimos e indispensáveis ao avanço democrático. O desvio começa quando a militância e quadros da comunidade universitária deixam de conviver com a pluralidade e passam a exigir adesão. Nesse ponto, qualquer crítica vira ofensa, qualquer discordância vira agressão simbólica, e o espaço acadêmico perde sua razão de ser. À direita ou à esquerda, transformar divergência intelectual em falha moral sufoca a liberdade unive...

A Universidade em Manifesto: contra a intolerância dos autodeclarados “tolerantes”, pelo direito de pensar diferente e pela pluralidade

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  Francisco de Goya,  El Aquelarre*   Por Luiz Felipe Miguel** Um grupo de professores lançou recentemente um manifesto em defesa do pluralismo nas universidades brasileiras. O documento, assinado por muita gente cujo trabalho conheço, respeito e admiro, suscitou algumas reações exaltadas. A defesa do pluralismo, segundo essas reações, seria uma reação contra o avanço de grupos minoritários. A situação é complexa, mas eu acredito que existem, sim, bons motivos para preocupação com o fechamento do espaço de discussão de determinados temas nas universidades do Brasil. Já falei de uma forma de macarthismo adotada por gente que, dentro dos campi, acredita que tem o monopólio, se não da verdade (quem se importa com ela, não é mesmo?), pelo menos das boas intenções. Campanhas de cancelamento, vetos à participação em eventos ou à publicação, boicote à citação de trabalhos ainda que eles sejam relevantes, pressão [e difamação nos bastidores]... Ocorre de tudo. Eu já fui alv...

Para um novo progressismo: o lulismo se esgotou e é necessário mudar de rumo

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Manifestantes na laje do Congresso Nacional (Folhapress)    Por Luiz Felipe Miguel [*] Depois das derrotas da semana passada, uma conclusão se impõe: no último ano de seu terceiro mandato, Lula se encontra em situação similar a Dilma Rousseff no começo do segundo mandato dela, aquele que foi interrompido pelo golpe em 2016. Ele se defronta com um Congresso no qual tem sustentação muito minoritária e que não se dispõe mais a vender (ou melhor, alugar) seu apoio em troca de cargos e verbas. Enfrenta a má vontade da imprensa corporativa e dos donos do capital em geral, que veem com simpatia crescente a possibilidade de alçar ao poder uma direita pura e dura. Nesse cenário, de pouca margem para a conciliação de classes, evidencia-se aquilo que muitos analistas da conjuntura brasileira estamos dizendo há anos: esgotaram-se as potencialidades do lulismo como forma de fazer política. Baseado na evasão do confronto e na ausência de um projeto de desenvolvimento nacional e popular...

O encontro entre a Sociologia e as Neurociências: novas perspectivas sobre socialização e a relação com a infância

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Nos últimos tempos, internacionalmente, a pesquisa cientifica tem avançado muito no sentido de uma convergência entre a Sociologia e as Neurociências. Da parte das Neurociências, trabalhos como os do português (naturalizado estadunidense)   António Damásio têm contribuído para isso; da parte da Sociologia, abordagens como as do seu compatriota Pedro Abrantes, do espanhol Vicente H. Urmeneta e as do italiano Massino Blanco fazem o mesmo. Como consequência, por exemplo, determinados enfoques usuais sobre a infância são impactados, e perdem relevância analítica e explicativa, conforme as investigações em Sociologia da Infância têm evidenciado. A especificidade da socialização infantil, articulando natureza e cultura, está para além de clichês muitas vezes repetidos no campo educativo. A propósito, conforme assinala Pedro Abrantes em um dos seus trabalhos , na esfera da socialização, ocorre um encontro paradigmático entre Sociologia e Neurociências. Trata-se, em suas palavras,   d...

Do crack ao clique: dependências para além das drogas – Evento ABRAMD

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  A Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos sobre Drogas (ABRAMD) realizará o evento intitulado Do crack ao clique: dependências para além das drogas. Acontecerá de forma presencial e remota.  Palestrantes  Anna Paula Nunes - Graduada em Psicologia pela PUC/SP, é psicoterapeuta e faz parte da equipe multidisciplinar do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (PROAD/UNIFESP), onde coordena grupo de acolhimento de pessoas com dependências de comportamento. Tema da palestra: Podemos ser dominados por nós mesmos? André Pimenta de Melo - Psicólogo clínico e sanitarista baseado em Campinas - SP, especializado em Terapia Existencial. Mestre em Saúde Coletiva pela UNICAMP, atua na interface entre fenomenologia, saúde mental e atenção psicossocial. Tema da palestra: Adições: da origem à globalização João Paulo Parada - Pesquisador do Grupo de Pesquisa Educação e Drogas (GPED/UERJ); pesquisador do Programa de Pós-graduação em Ensino em Biociênci...