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O encontro entre a Sociologia e as Neurociências: novas perspectivas sobre socialização e a relação com a infância

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Nos últimos tempos, internacionalmente, a pesquisa cientifica tem avançado muito no sentido de uma convergência entre a Sociologia e as Neurociências. Da parte das Neurociências, trabalhos como os do português (naturalizado estadunidense)   António Damásio têm contribuído para isso; da parte da Sociologia, abordagens como as do seu compatriota Pedro Abrantes, do espanhol Vicente H. Urmeneta e as do italiano Massino Blanco fazem o mesmo. Como consequência, por exemplo, determinados enfoques usuais sobre a infância são impactados, e perdem relevância analítica e explicativa, conforme as investigações em Sociologia da Infância têm evidenciado. A especificidade da socialização infantil, articulando natureza e cultura, está para além de clichês muitas vezes repetidos no campo educativo. A propósito, conforme assinala Pedro Abrantes em um dos seus trabalhos , na esfera da socialização, ocorre um encontro paradigmático entre Sociologia e Neurociências. Trata-se, em suas palavras,   d...

Do crack ao clique: dependências para além das drogas – Evento ABRAMD

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  A Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos sobre Drogas (ABRAMD) realizará o evento intitulado Do crack ao clique: dependências para além das drogas. Acontecerá de forma presencial e remota.  Palestrantes  Anna Paula Nunes - Graduada em Psicologia pela PUC/SP, é psicoterapeuta e faz parte da equipe multidisciplinar do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (PROAD/UNIFESP), onde coordena grupo de acolhimento de pessoas com dependências de comportamento. Tema da palestra: Podemos ser dominados por nós mesmos? André Pimenta de Melo - Psicólogo clínico e sanitarista baseado em Campinas - SP, especializado em Terapia Existencial. Mestre em Saúde Coletiva pela UNICAMP, atua na interface entre fenomenologia, saúde mental e atenção psicossocial. Tema da palestra: Adições: da origem à globalização João Paulo Parada - Pesquisador do Grupo de Pesquisa Educação e Drogas (GPED/UERJ); pesquisador do Programa de Pós-graduação em Ensino em Biociênci...

A quem pertencem os nossos dias? A interdição de FHC e a vida com lucidez

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Philosopher, c'est apprendre à mourir (Montaigne)   Por Ruth Aquino Para quem conheceu de perto o brilho intelectual de Fernando Henrique Cardoso [sociólogo mundialmente reconhecido, ex-Presidente da Associação Internacional de Sociologia, que se tornou Presidente do Brasil], a notícia de sua interdição [aos 94 anos], a pedido dos filhos, é, mais que um choque, um alerta.  Queremos viver tanto assim? Após a perda da lucidez? O que fazer para evitar esse capítulo doloroso para a família? Antes que o Alzheimer roube nossa conexão com o mundo, nossa autonomia. Antes que nos tornemos um fardo. Filhos pedem a interdição na Justiça quando a pessoa já não tem condições de ser responsável por mais nada. Filhos se tornam curadores. Essa decisão não é nada fácil. Vivi isso na minha família, fui curadora. Amigos e conhecidos têm enfrentado escolhas semelhantes com pais ou mães. É um luto em vida. Porque estamos vivendo demais. Nos cinemas, há um filme imperdível sobre os dilemas ...

Profissão docente e o papel do professor: conteúdo, centralidade do ensino e superação do senso comum

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Ao discutir a concepção de infância, relacionando-a à formação de professores e à atuação desses no processo educativo formal, Dermeval Saviani é paradigmático ao assinalar que a diretividade da atuação docente é irrenunciável, pois, conforme ele,   nas instituições educativas, o nexo instrução-educação somente pode ser representado pelo trabalho vivo do professor, na medida em que o docente é consciente dos contrastes entre o tipo de sociedade e de cultura que ele representa e o tipo de sociedade e de cultura representado pelos alunos. Em sentido semelhante, tendo como postulado a mesma concepção histórico-ontológica de Saviani, Newton Duarte é enfático: reafirma a imprescindibilidade do ato de ensinar e recusa as ditas pedagogias não diretivas e   do ‘aprender a aprender’, assim como as incompreensões e equívocos em torno de consignas tais como ‘ninguém educa ninguém’.   Ou seja, o referido pressuposto analítico e conceitual sustenta que o trabalho docente é um trabal...

Dermeval Saviani, Paulo Freire e os conteúdos sistematizados: o diferencial da Pedagogia Histórico-Crítica

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                          Por Rosana Alves (Pedagoga; Programa de Pós-graduação em Educação/PUC-SP)   A educação brasileira é imersa em intensos embates teóricos e práticos, mas, desde o Golpe de 2016, o debate na esfera do senso comum concentrou-se na defesa incessante de Paulo Freire, devido aos ataques que a extrema-direita inculta faz ao educador. Movimento correto de defesa de um educador comprometido com uma educação democrática. Mas sugiro sairmos da esfera do senso comum e aprofundarmos o debate. Dentre as correntes críticas da educação no Brasil, duas se destacam: a Pedagogia Histórico-Crítica (PHC), de Dermeval Saviani, e a Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire. Ambas são críticas, mas partem de bases filosóficas distintas: Freire, com raízes no idealismo hegeliano e na fenomenologia; Saviani, no materialismo histórico-dialético marxista. Este texto não busca apagar as diferenças entre as duas, tampouco pro...

Processo formativo: faces ocultas

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  Por Ivonaldo Neres Leite (Sociólogo, Universidade Federal da Paraíba/Centro de Ciências Aplicadas e Educação)  Pierre Bourdieu (1930-2002)   foi um sociólogo francês de origem popular, vindo de uma família da zona rural/camponesa, que, graças ao empenho nos seus estudos, se tornou um dos maiores pensadores do mundo. As suas pesquisas mostraram, por exemplo, que: 1) Existe uma construção social da sexualidade, e a sociedade procura controlar os corpos conforme as ideias que nela são dominantes; 2) Há um fenômeno chamado habitus (não é mesma coisa que hábito) o qual significa a incorporação pelo ser humano de formas de pensamento, maneiras de agir, modos de perceber, etc., que as pessoas reproduzem quase automaticamente, de forma que é como se o corpo e a mente estivessem recebendo comandos determinado o comportamento das pessoas; 3) Existe um tipo de violência chamada violência simbólica , que não é   física, mas invisível, e se exerce através da linguagem...

A Educação Popular e um campo em disputa: conferência ciência aberta

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  Nas últimas décadas, o acesso ao ‘conhecimento aberto’ (ciência aberta) ganhou crescente apoio público e na comunidade científica. Contudo, isso não tem ocorrido sem reações e movimentos   que procuram bloquear o processo progressista de democratização do conhecimento. Os ataques vêm de todos os lados: do negacionismo científico (desejoso de impedir que a sociedade tenha acesso ao saber sistematizado); das tensões geopolíticas, com a consolidação de blocos de competidores que dificultam a cooperação científica internacional, e privilegiam a ‘doutrina da segurança’; do profundo impacto da inteligência artificial em vários aspectos do processo de pesquisa, etc.  Dessa forma, a ciência aberta tem se tornado um campo de disputa, do qual uma educação analiticamente interpelante não se pode descuidar, designadamente a Educação Popular, principalmente num tempo em que ela está reconfigurando e refundamentando as suas perspectivas. Tendo isso em atenção, a Universidade Popular ...