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Para além dos discursos polarizados, existe a realidade: a Venezuela e a necessidade de análises objetivas

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Pareidolia: tendência de ver rostos humanos  em  formas que são só remotamente parecidas Por Luís Felipe Miguel (Cientista político; autor, entre vários outros livros, de ‘Consenso y conflito en la democracia contemporánea, Buenos Aires: Eudeba, 2022) Dois traços marcantes de todos nós, humanos, são criar narrativas e tomar lado, separando os bons dos maus. Pode ser que venha de fábrica, como parece que é a tendência de ver rostos humanos em quaisquer objetos remotamente assemelhados. Ou talvez seja efeito de nossa socialização primária – os contos de fada, quem sabe? Mas o fato é que, diante de uma tevê ligada em uma sala de espera, passando uma partida de futebol entre duas equipes desconhecidas, bastam poucos minutos para que nossa simpatia se incline para um dos lados. E que, com qualquer fragmento de informação, logo acionamos nosso repertório de explicações padronizadas e escolhemos aquela que julgamos mais adequada, para operar com ela ao menos de forma provisó...

Entender o que se passa na Venezuela: a dureza dos fatos, incertezas e o nosso futuro

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  Theodor Rombouts,  Prometeu  (1620) Por Luís Felipe Miguel (Cientista político; autor, entre vários outros livros, de ‘Consenso y conflito en la democracia contemporánea, Buenos Aires: Eudeba, 2022) Como capítulo esperado de uma narrativa que já se desenrolava há tempos, os Estados Unidos bombardearam a Venezuela e sequestraram o presidente Nicolás Maduro. Passadas pouco mais de 48 horas, há muitos aspectos ainda nebulosos – mas o sentido geral é claro. Trata-se da reafirmação, por parte dos Estados Unidos, de seu “direito” de mandar na América Latina. O que o governo Trump faz de novo, diferente de seus predecessores nas últimas décadas, é voltar à afirmação do uso simples da força, recuperando, sem disfarce, a doutrina do  big stick  e ostentando um desprezo olímpico pelo direito internacional. Também ao contrário de seus predecessores, em grande medida por influência de seu secretário de Estado Marco Rubio, ele voltou a dar prioridade à América Lati...

Tempo de Natal, tempo de fim de ano: palavras para não esquecer

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O Tempo , de Mário Quintana    A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são seis horas! Quando se vê, já é sexta-feira! Quando se vê, já é Natal… Quando se vê, já terminou o ano… Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida. Quando se vê, passaram 50 anos! Agora é tarde demais para ser reprovado… Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas… Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo… E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo. Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz. A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.    

Nota de Pesar: Bernard Charlot (1944-2025)

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  É com grande pesar que o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação, Sociedade e Culturas (GEPEDUSC)/UFPB-CNPq recebe a notícia do falecimento do Prof. Bernard Charlot. Pensador francês de referência internacional, que adotou o Nordeste brasileiro para viver e na região constituiu família, o Prof. Charlot, a partir da Sociologia da Educação/Ciências da Educação,   deu uma contribuição fundamental ao pensamento educacional mundial e, em particular, à formulação analítica considerando a educação brasileira. Os seus estudos sobre formação de professores, relação com o saber, conhecimento nos meios populares, jovens e educação, etc., são contributos marcados por uma fecunda originalidade e relevância. Não menos importante foi a sua atuação no contexto universitário brasileiro, sendo exemplo disso, na Universidade Federal de Sergipe, o seu papel na Pós-graduação em Educação, na Pós-graduação no Ensino de Ciências e Matemática e na criação do pioneiro Programa de Pós-graduação em Cu...

Um Novo Êxodo Judaico: Ruptura com o Sionismo

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  Judeu sefardita Roni  Margulies:  inspiração libertária Por Naomi Klein* Tenho pensado em Moisés e em sua ira quando desceu do monte e encontrou os israelenses adorando um bezerro de ouro. A ecofeminista em mim sempre se sentiu incomodada com esta história: que tipo de deus tem ciúmes dos animais? Que tipo de deus quer acumular toda a sacralidade da Terra para si mesmo? Mas há uma forma menos literal de entender esta história. Trata-se dos falsos ídolos. É sobre a tendência humana de adorar o profano e reluzente, de olhar para o pequeno e material em vez do grande e transcendente. O que eu quero dizer a vocês esta noite, neste revolucionário e histórico  Seder nas ruas , é que muitos de nossa gente estão adorando um falso ídolo mais uma vez. Eles estão extasiados com ele. Embriagados por ele. Profanados por ele. Esse falso ídolo chama-se “Sionismo”. Naomi Klein: luta política, judaísmo  libertário e ruptura com o sionismo É um falso ídolo que pega noss...

Pesquisa interpelante e a escrita da transformação

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Entrevista orginalmente publicada pela Revista Comunei - Em Comum Perfil do entrevistado: Aos 15 anos, integrou-se à luta política, numa trajetória simultânea de militância e estudo: ativista no movimento estudantil secundarista em Pernambuco, presidente de Diretório Central de Estudantes na universidade, atuação/assessor no movimento sindical docente, integrante de uma organização política clandestina/defensora da luta armada no período final da Ditadura Militar/de transição à Democracia, dirigente do Partido dos Trabalhadores (Presidente do partido numa cidade pernambucana e membro da sua direção no estado). Pelo caminho, enfrentou os resquícios do famigerado Decreto 477 da Ditadura Militar e foi impedido, por um tempo, de frequentar a universidade (suspenso de curso), tendo respondido a processo judicial, por sua atuação político-social, sob ameaça de detenção. Em meio a tudo isso, enveredou-se pelo caminho de artes como a literatura. Com essa história de vida,  Ivonaldo Nere...