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Mostrando postagens de maio, 2026

‘Universidade em ritmo de barbárie’ e a racionalidade sob ataque

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  Golconda (René Magritte)  Por Helcimara Telles * É impossível ignorar o agravamento da violência política no Brasil. Mais preocupante é perceber que esse ambiente de hostilidade já atravessa os muros da universidade. Um espaço que deveria estimular pensamento crítico, dúvida e confronto civilizado de ideias passa, em muitos casos, a reproduzir lógicas   beligeantes. Quando grupos organizados tentam impor uma única leitura da realidade, o debate encolhe e o dissenso passa a ser tratado como desvio. O problema não está na presença de movimentos sociais, legítimos e indispensáveis ao avanço democrático. O desvio começa quando a militância e quadros da comunidade universitária deixam de conviver com a pluralidade e passam a exigir adesão. Nesse ponto, qualquer crítica vira ofensa, qualquer discordância vira agressão simbólica, e o espaço acadêmico perde sua razão de ser. À direita ou à esquerda, transformar divergência intelectual em falha moral sufoca a liberdade unive...

A Universidade em Manifesto: contra a intolerância dos autodeclarados “tolerantes”, pelo direito de pensar diferente e pela pluralidade

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  Francisco de Goya,  El Aquelarre*   Por Luiz Felipe Miguel** Um grupo de professores lançou recentemente um manifesto em defesa do pluralismo nas universidades brasileiras. O documento, assinado por muita gente cujo trabalho conheço, respeito e admiro, suscitou algumas reações exaltadas. A defesa do pluralismo, segundo essas reações, seria uma reação contra o avanço de grupos minoritários. A situação é complexa, mas eu acredito que existem, sim, bons motivos para preocupação com o fechamento do espaço de discussão de determinados temas nas universidades do Brasil. Já falei de uma forma de macarthismo adotada por gente que, dentro dos campi, acredita que tem o monopólio, se não da verdade (quem se importa com ela, não é mesmo?), pelo menos das boas intenções. Campanhas de cancelamento, vetos à participação em eventos ou à publicação, boicote à citação de trabalhos ainda que eles sejam relevantes, pressão [e difamação nos bastidores]... Ocorre de tudo. Eu já fui alv...

Para um novo progressismo: o lulismo se esgotou e é necessário mudar de rumo

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Manifestantes na laje do Congresso Nacional (Folhapress)    Por Luiz Felipe Miguel [*] Depois das derrotas da semana passada, uma conclusão se impõe: no último ano de seu terceiro mandato, Lula se encontra em situação similar a Dilma Rousseff no começo do segundo mandato dela, aquele que foi interrompido pelo golpe em 2016. Ele se defronta com um Congresso no qual tem sustentação muito minoritária e que não se dispõe mais a vender (ou melhor, alugar) seu apoio em troca de cargos e verbas. Enfrenta a má vontade da imprensa corporativa e dos donos do capital em geral, que veem com simpatia crescente a possibilidade de alçar ao poder uma direita pura e dura. Nesse cenário, de pouca margem para a conciliação de classes, evidencia-se aquilo que muitos analistas da conjuntura brasileira estamos dizendo há anos: esgotaram-se as potencialidades do lulismo como forma de fazer política. Baseado na evasão do confronto e na ausência de um projeto de desenvolvimento nacional e popular...