A Universidade em Manifesto: contra a intolerância dos autodeclarados “tolerantes”, pelo direito de pensar diferente e pela pluralidade
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| Francisco de Goya, El Aquelarre* |
Por Luiz Felipe Miguel**
Um grupo de professores lançou recentemente um manifesto em defesa do pluralismo nas universidades brasileiras. O documento, assinado por muita gente cujo trabalho conheço, respeito e admiro, suscitou algumas reações exaltadas. A defesa do pluralismo, segundo essas reações, seria uma reação contra o avanço de grupos minoritários.
A situação é complexa, mas eu
acredito que existem, sim, bons motivos para preocupação com o fechamento do
espaço de discussão de determinados temas nas universidades do Brasil.
Já falei de uma forma de
macarthismo adotada por gente que, dentro dos campi, acredita que tem o
monopólio, se não da verdade (quem se importa com ela, não é mesmo?), pelo
menos das boas intenções. Campanhas de cancelamento, vetos à participação em
eventos ou à publicação, boicote à citação de trabalhos ainda que eles sejam
relevantes, pressão [e difamação nos bastidores]... Ocorre de tudo. Eu já fui
alvo: o convite para publicação de um livro por editora importante desfeito sem
qualquer motivo, um curso em uma plataforma “cult” cancelado sem sequer me
avisarem, campanha intermitente de difamação por youtubers famosos ou
semifamosos. Isso por gente que se diz de esquerda. Pela direita,
censura, processos, incitação à violência contra mim, pedidos de demissão.
Cheguei a uma etapa da minha
carreira em que posso me dar ao luxo de não ligar. Para muitos colegas, porém,
é mais difícil.
Múltiplas pesquisas têm
mostrado que, entre estudantes, há receio de se pronunciar em público, por medo
de dissentir das opiniões hegemônicas – é a perfeita ilustração da espiral do
silêncio, de que falava Elisabeth Noelle-Neuman. Com certa frequência, sou
procurado por alunos que manifestam essa preocupação. Uma graduanda em Ciência
Política me perguntou se ela deveria expor, em seu trabalho de conclusão de
curso, sua concordância com algumas teses alinhadas àquilo que, nos debates das
redes sociais, é estigmatizado como “radfem”. Eu tive que dizer a ela que, para
o bem de seu futuro profissional, no mercado de trabalho ou na academia, ela
devia evitar o tema. Uma exposição prematura poderia prejudicar suas chances de
entrar numa pós-graduação ou de ser contratada por uma ONG feminista ou alguma
organização internacional (caminhos para continuar trabalhando com a pauta de
gênero). Seria irresponsável da minha parte fingir que essa não é a realidade.
As principais reações contra o
manifesto vieram exatamente daqueles que se esforçam para calar determinadas
vozes dentro das universidades. Um professor da Universidade Federal da Bahia
publicou nas suas redes sociais uma diatribe em regra contra os autores, a quem
acusou de serem racistas, misóginos, homofóbicos, transfóbicos e mesmo
necrófilos. Para ele, já existe pluralidade suficiente na universidade. Esse
mesmo professor, porém, é um dos mais eloquentes propagadores da caça às bruxas
nos campi. Publicou, faz poucos meses, um texto em que defende simplesmente que
devem ser levados às ouvidorias das universidades, para sofrerem processos
disciplinares, todos aqueles que criticam as fragilidades das teorias
identitárias. Essa crítica, diz ele, consistiria em “assédio epistemológico”,
um tipo penal que ele mesmo inventou.
Não acredito que seja má fé. É
dissonância cognitiva mesmo. Nas seitas cristãs do início da Idade Moderna, era
comum que os adeptos dessem a si mesmos o nome de “os perfeitos”. Sendo
perfeitos, podiam fazer qualquer coisa, sem medo de errar. Os herdeiros destas
seitas são hoje os arautos dos identitarismos. Eles creem sinceramente que são
as vítimas do sistema (ou seria cistema?), o que justifica que exerçam de forma
despreocupada seu poder intimidatório.
Está muito errado um ambiente
universitário em que as pessoas tenham medo de se expressar. Aqueles que se
sentem satisfeitos com isso encampam a violação de um princípio essencial da
universidade, sem o qual ela perde sua razão de ser. Mas há dois pontos complementares
à discussão, aliás estreitamente ligados entre si, que creio que devem ser
acrescentados.
O primeiro é que a exigência
de pluralismo não significa que qualquer discurso deve estar
dentro da universidade. A defesa abstrata da pluralidade pode dar essa
impressão, sobretudo nos tempos de “pós-verdade” que sofremos. Mas não é isso.
Quando o professor da UFBA
inventa essa história de “assédio epistemológico”, o que ele está querendo é se
blindar contra as críticas que são feitas às derivas identitárias – uma série
de perspectivas que acabaram sendo acolhidas na universidade, que oscilam entre
ingenuidade, misticismo e charlatanismo, e que não são sustentáveis diante dos
parâmetros adequados de discussão acadêmica.
Contra estes parâmetros, fazem
a crítica da universalidade. Seriam parâmetros eurocêntricos, masculinistas,
heteronormativos. Como se indígenas ou negros, mulheres, gays ou
lésbicas, fossem endogenamente incapazes de sustentar o discurso científico.
Como se a ciência, produzida aliás também por muitos integrantes de todos esses
grupos, não tivesse sido, ao longo da história, aliada de suas reivindicações
emancipatórias.
E como se, pelo fato de que as
pretensões à universalidade são muitas vezes desvirtuadas pelos grupos
dominantes, nós tivéssemos que abandoná-la – em vez de lutar por uma
universalidade genuína.
Tudo aquilo que a ciência
construiu deve, sim, ser visto como parte do patrimônio comum de toda a
humanidade. Fazer de Newton, de Darwin ou de Marx um totem tribal ajuda em que
na tarefa de construir um mundo mais igualitário e mais solidário?
O que a denúncia desse
patrimônio ajuda é outra coisa – é garantir o espaço do pesquisador
incompetente, preguiçoso ou picareta, que embrulha seu material no papel
reciclado da “epistemologia alternativa” e foge do debate sério apontando o
dedo para os críticos, com gritos de “eurocêntrico” ou “heteronormativo”.
Por paradoxal que possa
parecer à primeira vista, as campanhas de intimidação e silenciamento que
ocorrem nas universidades, que reduzem a pluralidade interna e impedem o debate
livre, estão ligadas à redução dos critérios de validade científica que nelas
deveriam imperar.
Em suma: o pluralismo no
ambiente universitário não significa que um departamento de astronomia deva
receber quem acredita no terraplanismo ou que um departamento de biologia deva
dar espaço para defensores do criacionismo. Embora a gente saiba que nenhum
debate científico está encerrado de uma vez por todas, ainda assim a ciência
garante seu progresso por meio de consensos bem fundados. É – em teoria –
possível que alguém reabra o debate sobre a terra plana (improvável, mas vamos
lá, pelo bem da discussão). Só que para isso não basta requentar tudo aquilo
que a ciência já descartou; seria necessário encontrar novas evidências e/ou
produzir uma nova síntese teórica, de forma suficientemente robusta para
recolocar a discussão.
As ciências sociais são mais
complexas, mas ainda assim existem procedimentos que são aceitos como válidos
na construção de argumentos – posso discordar do que está sendo dito, mas
reconhecendo que tem lugar no debate. Outros argumentos, porém, são desprovidos
de qualquer sentido. Mas criou-se um discurso pretensamente radical que afirma
que qualquer critério de validade científica deve ser rejeitado, porque seria
uma demonstração de eurocentrismo ou algum outro tipo de preconceito. Daí, o
mergulho na subjetividade, o apelo à “ancestralidade”, o solipsismo, o império
da experiência incomunicável, a recusa das evidências, a negação dos
encadeamentos lógicos, o triunfo da crença sobre a observação, tudo está
liberado. É o negacionismo científico dos ‘progressistas’, tão nocivo
quanto a cloroquina dos bolsonaristas. Ou mais.
E daí cada um inventa uma
“epistemologia” para chamar de sua e, com base nela, vale tudo. Já falei disso
muitas vezes. É uma completa desmoralização dos critérios do debate acadêmico,
com base em pretensas visões que deveriam ser aceitas com condescendência
porque são contrárias às opressões. No final do processo, chegamos a absurdos
como a inclusão das “práticas integrativas complementares” no SUS, com o
dinheiro público da saúde pagando por rezas e placebos, quando não um
charlatanismo de inspiração nazista como a “constelação familiar”, tudo já
descartado pela ciência, tudo saudado como vitória “contracolonial”.
E isso me leva à segunda
questão, que, como disse, está intimamente ligada a esta primeira. A
universidade que deve aceitar apenas discursos que sejam compatíveis com as
regras elementares do fazer científico não é uma universidade despreocupada com
a transformação social. Eu creio firmemente que a universidade, como
instituição, precisa ter um compromisso com a produção de um mundo melhor – o
que não significa alinhamento partidário. Mas esse compromisso só se realiza
caso ela seja capaz de produzir conhecimento sólido sobre este mundo.
Ninguém ganha nada com a
manutenção de crenças falsas, de dados forjados, de teorias descabeladas, só
porque aparentemente estariam sustentando causas nobres. Não adianta nada ficar
repetindo que a expectativa de vida de uma pessoa trans no Brasil é de 35 anos,
como se esse dado chocante fosse aumentar a solidariedade com um grupo social
marginalizado, quando já se sabe, há muito tempo, que ele foi simplesmente
inventado. Se nós queremos garantir a segurança e a integridade física das
pessoas trans, como devemos garantir, precisamos, isso sim, de informações
corretas, fidedignas, sobre a realidade delas.
É preciso, portanto, mais
pluralismo e também maior depuração do ambiente acadêmico. Não vou nem falar de
colocar a barreira mais alta. Estou falando de colocar alguma barreira, para
que a universidade não seja – como a direita gosta de mostrar – um
repositório inesgotável de besteirol.
É comum ouvir a direita
reclamar de uma pretensa hegemonia da esquerda nas universidades. Falam de
doutrinação; a Brasil Paralelo faz os seus “documentários” para provar a
situação. Isso é, evidentemente, uma ficção. As universidades não são, nem
nunca foram, um espaço dominado por posições de esquerda.
Ainda assim, é verdade que em
algumas áreas, como as ciências sociais, posições reacionárias ou conservadoras
têm menos espaço. O motivo para isso, como sempre argumentei, não é nenhum
complô. É simplesmente a maior capacidade explicativa e a maior qualidade
científica das posições críticas sobre o mundo social.
Uma leitura da sociedade
baseada numa noção de meritocracia seguramente tem um potencial explicativo
muito menor do que outra que coloque em cena as desigualdades que estruturam a
ordem em que vivemos. Meritocracia é ideologia, não é ciência. Não é por acaso;
como lembrava Claus Offe, a sociologia surgiu para desvelar aquilo que o
autodiscurso da sociedade liberal esconde. Por isso, não é necessária
sociologia numa ordem de tipo feudal, que assume as desigualdades, em vez de
disfarçá-las. Ela é necessária, isso sim, quando o liberalismo proclama uma
igualdade que suas condições sociais negam.
Da mesma maneira, qualquer
leitura de processos históricos que tenha capacidade de ampliar nossa
compreensão do passado (e, portanto, do presente) precisa se apoiar em algum
tipo de materialismo histórico, assuma-se ou não como tributária da obra de
Marx. Não é censura ideológica, é reconhecimento do valor científico.
Ainda assim, professores
direitistas sempre estiveram presentes. Não conheço o caso de alguém que tenha
sido impedido de entrar num curso de pós-graduação ou de passar num concurso
para professor por causa de sua posição política. Se são minoritários, é pelos
motivos que acabei de descrever: operam com teorias que os tornam menos capazes
de interpretar o mundo. Seria como reclamar que existem poucos criacionistas
nos cursos de biologia. Na verdade, uma vez que nossos paradigmas são mais
disputados, as ciências sociais acabam sendo mais permeáveis a essas visões
cientificamente insustentáveis do que as ciências da natureza.
E, em áreas particularmente
sensíveis, como a Economia ou mesmo a Ciência Política, falar de predomínio de
posições à esquerda é carente de sentido. Há um grande contingente de
professores não apenas com posições políticas conservadoras, mas manejando
modelos desprovidos de pegada crítica, que servem muito mais à naturalização e
legitimação da ordem de dominação existente do que ao deciframento da
realidade.
É legítimo, porque –
exatamente por serem campos científicos com autonomia reduzida – o debate sobre
seus marcos paradigmáticos ainda é muito vivo.
Os professores com posições à
direita participam dos encontros acadêmicos, publicam nas revistas científicas,
acho que é difícil a qualquer um deles dizer que sofre algum tipo de boicote.
E, do lado de fora da universidade, encontram muitos espaços. São convidados
para falar na televisão, escrevem colunas para os jornais, dão consultorias
para empresas, recebem sinecuras em thinks tanks, ocupam cargos em
governos. A vida de um professor universitário de direita no Brasil não é nada
ruim. Muito pelo contrário. Na verdade, muitos deles certamente, no seu íntimo,
agradecem a posição minoritária na academia, que valoriza o seu passe neste
vasto mercado que se abre à frente deles.
Em resumo, o predomínio de
posições um pouco mais à esquerda em grande parte das ciências sociais é
simplesmente o efeito da maior capacidade compreensiva de visões críticas do
mundo social.
Existem, claro, situações de
miopia doutrinária, de professores que se prendem a determinados textos como se
fossem as tábuas sagradas da lei. Mas eu não creio que isso seja predominante –
e, quando ocorre, os direitistas são tão ou mais propensos ao erro. Mas tenho
todas as evidências de que a regra é outra. Eu mesmo, quando vou oferecer uma
disciplina de, por exemplo, teoria política, não deixo de exigir dos estudantes
a leitura de pensadores conservadores – Hayek, Schumpeter, Nozick, estão todos
lá na minha lista de leituras obrigatórias. Faço questão de apresentá-los com
toda a seriedade. Sem deixar de fazer minhas críticas, é claro, mas também
procurando ser fiel àquilo que eles estão dizendo, na medida da minha
capacidade, quando os comento.
Não quero formar gente que
concorde com alguma ortodoxia, mas que tenha repertório e as ferramentas para
pensar com a própria cabeça. Minha aposta é que a reflexão crítica leva ao
compromisso com a transformação do mundo.
É a direita que tem medo da
diversidade. Vocês querem um exemplo? Os remanescentes do “Escola sem Partido”,
no Rio Grande do Sul, entraram com uma ação para suspender a leitura dos livros
indicados para o vestibular. Argumentaram que (cito literalmente) “o efeito de
uma leitura pode ser transformador, levando o leitor a questionar ideias,
refletir sobre valores ou até mesmo confrontar e abandonar suas próprias
crenças”. Isso seria uma ameaça à liberdade de crença – que eles entendem como
sendo igual à exclusão de qualquer contato com a diversidade do mundo.
De minha parte, dizer que uma
leitura pode ter efeito transformador é o maior elogio que se pode fazer a ela.
Mas é necessário reconhecer
que alguma coisa mudou nestes últimos anos. Temos uma investida muito maior da
direita para ocupar estes espaços. Iniciativas como os “Estudantes pela
Liberdade”, com vasto financiamento do exterior, ganharam corpo nos campi, disputaram
e por vezes ganharam centros acadêmicos, DCEs ou mesmo associações docentes. De
maneira algo surpreendente, temos uma direita que se quer intelectualizada,
ainda que nas formas bizarras do olavismo, da escola austríaca ou do
fundamentalismo cristão.
A ofensiva da direita tomou a
forma também do aumento da pressão contra a autonomia universitária: “Escola
sem Partido”, fake news da Brasil Paralelo e outros outlets da
mídia extremista, enfim investidas a partir do governo federal com Temer e com
Bolsonaro (e similares em governos estaduais e prefeituras). Houve tentativa de
censura de cursos por motivos políticos, como aconteceu comigo mesmo, quando
ministrei a disciplina “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”, e
Mendoncinha, ocupante do MEC na era do usurpador Temer, tentou impedir.
Setores da esquerda julgaram
que deveriam reagir usando as mesmas armas. Os militantes do “Escola sem
Partido” não são os únicos que querem proibir leituras. Os xiitas do
identitarismo também têm suas listas de obras proibidas, de autores acusados de
violarem tais ou quais princípios em suas obras.
Daí vemos episódios em que
pessoas são expulsas dos campi, em que centros acadêmicos cassam a palavra de
colegas estudantes, em que dissidentes são ameaçados de levar porrada, em que
determinadas posições políticas não podem ser representadas em nenhum espaço
acadêmico.
Creio que é um erro, um erro
grave. Um erro político, em primeiro lugar: as universidades se tornaram presas
fáceis das provocações da direita. Um candidato do MBL quer fazer um vídeo
viral? Vai numa universidade, fala duas ou três besteiras, e pronto. Já vai ser
alvo de uma agressão, que filmará e colocará nas redes.
Mas é um erro de princípio,
também. As circunstâncias que justificam o veto a determinadas falas no
ambiente universitário, por conta de sua vinculação política, são muito
precisas e muito especiais. Entendo que, nesse momento, quando existe uma
campanha mundial pelo boicote ao Estado genocida de Israel, haja pressão para
que pessoas vinculadas a universidades israelenses ou ao establishment sionista
não sejam convidadas a atividades nas universidades brasileiras. Mas isso é uma
exceção, própria de uma conjuntura muito específica, vinculada a uma campanha
focada no isolamento do Estado de Israel, no comércio, no esporte, na cultura,
logo também na academia e na ciência, tal como ocorreu com o regime do
apartheid na África do Sul. É algo que não tem a ver com liberdade de
expressão, mas com pressão internacional. Fora esse tipo de caso, o melhor
caminho para quem defende uma sociedade mais igualitária é promover o livre
debate A nossa questão não é censurar vozes, é encontrar espaços para que vozes
hoje minoritárias também possam ser ouvidas.
O que está acontecendo nas
universidades é o que está acontecendo de maneira geral, quando setores da
esquerda, principalmente aqueles vinculados a uma visão identitária,
substituíram a defesa da liberdade de expressão, que entendida de forma correta
implica a ampliação da pluralidade, pela defesa de um poder de censurar.
Não ganhamos nada com isso.
Perdemos muito, na verdade. Perdemos a bandeira da liberdade de expressão, que
sempre protegeu muito mais quem luta para mudar o mundo do que quem quer
conservá-lo como está. Perdemos o direito de defender o conhecimento científico
contra os negacionismos da direita. E perdemos o horizonte de uma sociedade
livre, que só pode existir com pessoas capazes de pensar por conta própria.
* Ilustração definida pelo autor do artigo.
** Luiz Felipe Miguel é cientista político e autor de várias
obras, entre elas: Marxismo e Política: Modos de Usar (Boitempo, 2024), Democracia na Periferia Capitalista: Impasses do Brasil (Autêntica, 2022), Desigualdades e Democracia (Editora da Unesp, 2016).

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