Inteligência Artificial: nem inteligente, nem artificial - e comete erros
De tempos em tempos, a cada novo
fenômeno sociotécnico, muitas vezes, gera-se um ‘grande entusiasmo’,
transita-se para a ‘euforia’ e cai-se no ‘ufanismo’. É o que se passa agora com
a chamada Inteligência Artificial, no mais das vezes, concebida de forma
acrítica, sem problematização e sem se levar em conta as suas implicações –
desde as esferas sociais de caráter micro (como o desenvolvimento da
aprendizagem) até as dimensões de natureza macro, como é o caso da geopolítica.
Ainda bem, contudo, que existe algo chamado conhecimento metacientífico, para -
com as suas disciplinas – realizar o devido escrutínio da questão. Isso nos
leva a ter acesso a asserções como a do neurocientista Miguel Nicolelis,
caracterizando a Inteligência Artificial como “nem inteligente e nem
artificial”. Além de também cometer erros. De resto, Noam Chomsky qualificou a IA como um duro ataque ao pensamento crítico e à ideia de formação autônoma.
Já começa a se avolumar, em alguns
países, a quantidade de trabalhos, revisados por pares e com
chancela acadêmica, pondo em questão as perspectivas deterministas em torno da
IA, com a Sociologia da Ciência desempenhando um papel central a esse respeito.
É o caso, por exemplo, da obra Intelligence artificielle et sciences
humaines et sociales (Paris, Éditions L'Harmattan, 2025), resultante
de uma produção coletiva, sob a direção do sociólogo Jean-Sébastien Vayre
(Université Côte d'Azur/França). Abaixo, a reprodução da capa da obra, assim
como, também, uma abordagem de Nicolelis, em podcast, sobre a IA e outros temas
atuais em torno do assunto e da ciência.