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Mostrando postagens de agosto, 2026

Ameaças à universidade como instituição republicana ou da intolerância ideológica, da insensibilidade e do silêncio covarde

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'O sono da razão produz monstros' (Tela de Francisco Goya) Por Luís Felipe Miguel (Cientista político, professor na Universidade de Brasília, UnB; autor, entre vários outros livros, de ‘Consenso y Conflito en la Democracia Contemporánea, Buenos Aires: Eudeba, 2022) Na série de debates que encenou com o autor ultrarreacionário e teórico da conspiração Dinesh D’Souza, no início dos anos 1990, Stanley Fish ridiculariza a ideia de que os  campi  das universidades dos Estados Unidos estavam sendo tomados por hordas de ativistas, que impunham sua agenda – na época, chamada de “multicultural” ou “politicamente correta” – em detrimento de valores acadêmicos consolidados. Uma visão exagerada, unilateral, destinada a gerar pânico e deslegitimar vozes emergentes. Da sua posição de professor de literatura, Fish desmonta balelas como a de que  A cor púrpura , o livro de temática antirracista da escritora Alice Walker, seria mais estudado nas universidades do que a obra de Shakespe...

À memória de Eleni Varikas (1949-2026): uma vida com sentido partilhado

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                                                   Historiadora Eleni Varikas    POR MICHAEL LÖWY Eleni Varikas, que faleceu em 9 de janeiro de 2026, foi minha companheira durante 45 anos. Por quase meio século, compartilhamos alegrias e tristezas, travamos batalhas juntos e, por vezes, escrevemos ensaios a quatro mãos. Éramos inseparáveis, especialmente nos últimos cinco anos. É difícil, para mim, terrivelmente difícil, aceitar sua ausência definitiva. Era um espírito rebelde, insubmisso, crítico, mas ao mesmo tempo sutil e profundo. Cheia de energia, era também uma pessoa muito frágil. Generosa, calorosa, alegre, seu sorriso aquecia nossos corações. Ela gostava de cantar e tinha um vasto repertório de canções de todo o mundo, que cantava em grego, francês, inglês, espanhol, italiano e até alemão. Em seu último dia de vida, no hospital, cantamos ...

Inteligência Artificial: nem inteligente, nem artificial - e comete erros

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  De tempos em tempos, a cada novo fenômeno sociotécnico, muitas vezes, gera-se um ‘grande entusiasmo’, transita-se para a ‘euforia’ e cai-se no ‘ufanismo’. É o que se passa agora com a chamada Inteligência Artificial, no mais das vezes, concebida de forma acrítica, sem problematização e sem se levar em conta as suas implicações – desde as esferas sociais de caráter micro (como o desenvolvimento da aprendizagem) até as dimensões de natureza macro, como é o caso da geopolítica. Ainda bem, contudo, que existe algo chamado conhecimento metacientífico, para - com as suas disciplinas – realizar o devido escrutínio da questão. Isso nos leva a ter acesso a asserções como a do neurocientista Miguel Nicolelis, caracterizando a Inteligência Artificial como “nem inteligente e nem artificial”. Além de  também cometer erros.  De resto, Noam Chomsky qualificou a IA como um duro ataque ao pensamento crítico e à ideia de formação autônoma.  Já começa a se avolumar, em alguns países,...