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As lições do caso Boaventura de Sousa Santos

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  Por Ivonaldo Leite  (Universidade Federal da Paraíba) Às vésperas do Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais e do Congresso da Associação Internacional de Ciências Sociais e Humanas de Língua Portuguesa, todos nós, partícipes em maior ou menor medida dessas instâncias de construção científica de análise social do mundo que fala português (nos últimos trinta anos), fomos surpreendidos pelo conjunto de denúncias envolvendo   Boaventura de Sousa Santos.   Trata-se de um facto impactante por diversas razões. Seja pela significativa contribuição de Boaventua na referida construção; seja pela dimensão da sua obra, que o projetou internacionalmente como distinguido cientista social do mundo de expressão lusófona; seja pelo caráter das denúncias de que é objeto: assédio sexual no contexto do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Diante de casos como o aqui em foco, costumam ser habituais dois posicionamentos: declaração de apoio incondicional...

Equívocos sobre a ideia de "racismo estrutural"

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Folha de São Paulo, 18 de março de 2023 (Maurício Meireles – Repórter especial) Em novo livro, sociólogo Muniz Sodré (UFRJ) diz que falta base científica ao conceito [de racismo estrutural] e propõe nova radiografia da discriminação racial [RESUMO]  Em novo livro,  Muniz Sodré  contesta o conceito de racismo estrutural, que a seu ver carece de base científica. Embora não se oponha ao uso da expressão, o sociólogo e colunista da  Folha  afirma que a discriminação racial no Brasil é difícil de combater por ser institucional e intersubjetiva, tendo como marca a negação do preconceito, e que teria se reconfigurado depois da Abolição com as ideias fascistas europeias. Sodré defende ainda que o pensamento da aproximação, manifestado em algumas situações brasileiras, traz oportunidade de combater o racismo. Muniz Sodré  é um intelectual de luta. Faixa-preta de caratê, continua a praticar o esporte aos 81 anos. A idade só o obrigou a deixar para trás a capoei...

Capitalismo, a preponderância do conceito de classe social e os equívocos das abordagens sobre raça e racismo

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Por Nildo Viana  (Sociólogo, Universidade Federal de Goiás) A questão racial vem sendo abordada sob as mais variadas perspectivas teóricas, mas poucas são as análises marxistas a seu respeito. Consideramos que a busca da compreensão do racismo remete, necessariamente, aos recursos teóricos do materialismo histórico-dialético e é este o procedimento que será adotado aqui. Por conseguinte, o estudo do racismo, sob perspectiva marxista, nos obriga a procurarmos na história e no conjunto das relações sociais a sua origem e as determinações que possibilitam sua reprodução nas sociedades capitalistas contemporâneas. O racismo não é apenas uma ideologia. Ele é, também, um conjunto de práticas sociais. O racismo é uma prática social de discriminação racial. Essa prática discriminatória não ocorre apenas no mundo das ideias e valores, mas também no mercado de trabalho, no nível de renda, nas relações de poder, etc. Podemos dizer que é o racismo (conjunto de práticas sociais de discrimin...